quarta-feira, 1 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
cristos, toscos e feios
Quer levar tudo, pode levar. Só lhe digo que é um bocado pesado... Ainda não fechei porque não houve ninguém que levasse tudo. Estou cá todos os dias depois das duas. Às cinco vou-me embora porque não vem ninguém. Se a menina não vai ali chamar-me eu não vinha ter consigo. As pessoas entram e eu não ligo. Ninguém leva nada, ninguém dá valor ao que eu faço. De anos a anos, lá vem alguém que sabe olhar e aí eu vendo. Mas é de quarenta em quarenta anos... Só faço pelo prazer de fazer. Não sou entalhador, sou marceneiro, mas faço Cristos e Nossas Senhoras. Como esta, só há esta, é uma obra única, não faço duas iguais. Quanto mais feios melhor, porque bonitos há muitos por aí.
| A casa para o grilo, 2011. |
Têm na mesa de trabalho uma imagem de madeira de Nossa Senhora do Sameiro, tosca, de olhos esbugalhados, pintada à mão. Leva três ou quatro meses a fazer. Aqui só compra quem sabe ver. O grilo precisava de uma casa. Aqui está ela, pintadinha como eu sei, toda de madeirinha.
Às vezes deixam cá móveis para restauro. Quando gosto, peço para fazer uma cópia e faço uma para mim. Tudo feito por mim, como já ninguém faz. Agora querem tudo liso.
Na loja e oficina de David Gomes há mísulas, peanhas, contadores, mesas, louça, um chapéu usado por Salazar, cómodas com puxadores embutidos de marfim, Virgens e Cristos, e aqueles que já foram vendidos e levados para uma exposição DO PORTUGAL no Canadá têm seu lugar assinalado por uma caixa branca onde se lê: "Foram daqui os Cristos para esta exposição..."
A oficina de fazer móveis à mão, à rua do Anjo (antiga rua 13 de Fevereiro), passou do avô para o pai de David Gomes, que tem duas filhas. Mesmo que tivesse um filho, não o ensinava. Sabe porquê? Para não ter de ouvir: - Ai, tão caro!!!
© All rights reserved by Catarina Miranda Basso
domingo, 29 de maio de 2011
rua do Raio
José de Araújo, leitor do Correio do Minho, ligou-nos hoje de manhã para contar um pouco da história da fotografia que saiu hoje no jornal. José (8 de Maio de 1932) foi "nascido e criado na freguesia de S. Victor", encontrando-se actualmente a residir em S. Lázaro com a esposa, Ana Carvalho de Almeida (filha do "Mica", David Peixoto, que foi jogador do Braga). O único filho, os dois netos e os três bisnetos vivem em França. José recorda-se das ruas de Braga, de como elas eram, como as palmas das suas mãos, da altura desta imagem, da sua infância. Esta imagem corresponde à rua da antiga creche de Braga, a rua do Raio...
Mais adiante, nas oficinas de S. José, ficava um campo de futebol, que foi daqui para os Peões. Por trás da creche ficava a Quinta do Peixoto.
Nesta altura a creche tinha alunos internos e externos, desde os mais pequeninos até ao terceiro ano. José frequentou a creche até à 3.ª classe. Foi aluno da D. Arminda, professora angolana, que vestia sempre de preto, "como uma dama antiga". A 4.ª classe foi feita em S. Lázaro, com o professor Guimarães. Fez o 6.º ano na Escola Industrial Carlos Amarante, curso de marcenaria, o que lhe deu entrada na famosa oficina de Fânzeres. Depois, José fez altares para todo o país... Obrigada, José! © All rights reserved by Catarina Miranda Basso
Arcelino, fotógrafo bracarense
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| Arcelino Azevedo (1913-1972) |
Logo depois de ter concluído a instrução primária, Arcelino começou a trabalhar na fotografia de Santos Lima, ao Largo Barão de São Martinho, onde terá aprendido os primeiros passos da arte que desenvolveu com grande mestria.
Nos anos 30 passou para a Fotografia Pelicano, ao lado do Café A Brasileira, onde terá permanecido, segundo Luís Dias Costa, até 1965 - altura em que abriu a sua própria fotografia, perto dali, ao Largo de São Francisco.
O seu estúdio fotográfico, que funcionava, segundo dizem os locais, "à porta fechada", e só para os "importantes", foi continuado por José Veiga, seu empregado, ao qual se associou, após a sua morte, Manuel Gonçalves.
Nos anos 30 passou para a Fotografia Pelicano, ao lado do Café A Brasileira, onde terá permanecido, segundo Luís Dias Costa, até 1965 - altura em que abriu a sua própria fotografia, perto dali, ao Largo de São Francisco.
O seu estúdio fotográfico, que funcionava, segundo dizem os locais, "à porta fechada", e só para os "importantes", foi continuado por José Veiga, seu empregado, ao qual se associou, após a sua morte, Manuel Gonçalves.
Arcelino Augusto de Azevedo nasceu e faleceu em Braga (23 de Setembro de 1913 - 11 de Novembro de 1972), sendo conhecido como um dos grandes fotógrafos da cidade.
O seu espólio, pertencente à ASPA - Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - encontra-se em depósito na fototeca do Museu Nogueira da Silva.
O Museu da Imagem da cidade de Braga realizou já uma importante mostra do fotógrafo bracarense, da qual nasceu um catálogo da exposição intitulada Arcelino, retrato de uma cidade.
mais sobre o fotógrafo bracarense, aqui:
sábado, 28 de maio de 2011
ex-estúdio "Arcelino"
No ano de 1973, José Veiga e Manuel Gonçalves fundaram o estúdio Foto 73, dando continuidade à "fotografia" de Arcelino Azevedo, que aí se estabelecera na década de trinta do século XX.
José Veiga ainda aprendeu com a mestria do grande fotógrafo bracarense Arcelino, e juntamente com Manuel Gonçalves deu continuidade ao "ex-estúdio Arcelino" durante dois anos.
Em 1975 estabeleceu-se por conta própria na rua de Janes, com o pequeno Estúdio 75, que recentemente fechou portas, procurado pela arte do retoque e os belíssimos retratos a carvão que realizava.
Em 1975 estabeleceu-se por conta própria na rua de Janes, com o pequeno Estúdio 75, que recentemente fechou portas, procurado pela arte do retoque e os belíssimos retratos a carvão que realizava.
Manuel Gonçalves, filho do fotógrafo Alberto Maria Gonçalves - que foi o dono, no início do século XX, da Fotografia Moderna Eléctrica - continuou sozinho a exploração do estúdio Foto 73, que ainda hoje funciona.
© All rights reserved by Catarina Miranda Basso
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
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