sábado, 4 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
costaneira
| Montra da mercearia Azevedo, vista do interior da loja. |
Desde 1952 que Francisco Fernandes Azevedo alugou a loja que fica ao lado da Câmara e do café “Maiami” à Família Fonseca. Antes dele, já António da Costa Gomes tinha ali uma mercearia. Francisco teve de fazer obras nessa altura, coisa pouca, alterando então uma porta da qual fez uma montra. Desde que nasceu o seu filho, Francisco José Peixoto Azevedo, que tem um ajudante a seu lado. Assim que o filho Francisco Júnior terminou a quarta classe, com ele ficou a trabalhar a tempo inteiro.
O período áureo da mercearia coincide com a existência do mercado ali ao lado, na praça do Município. Foi contudo um período breve, pois o Mercado viria a ser demolido em 1955, ano em que inaugurou o actual Mercado Municipal, à Praça do Comércio.
Além dos produtos de mercearia, vendiam-se ali valores selados, selos fiscais e imposto de automóvel e gasóleo. Depois da abertura dos hipermercados, o comércio tradicional foi definhando aos poucos. Hoje vende na sua maioria fruta, e ainda vende selos do correio.
Na mercearia Azevedo há um antigo moinho de café que ainda trabalha mas já não mói, uma medidora de azeite e um cofre muito antigo onde se guardam os documentos importantes. Alguns produtos são embalados no conhecido “papel de mercearia”, amarelado e fininho, que tem o nome de papel costaneira. O futuro da casa é ainda incerto: restaurar, trespassar, ou encerrar e entregar a chave ao senhorio.
© All rights reserved by Catarina Miranda Basso
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Contra o encerramento do Hospital D. Estefânia
terça-feira, 31 de maio de 2011
cristos, toscos e feios
Quer levar tudo, pode levar. Só lhe digo que é um bocado pesado... Ainda não fechei porque não houve ninguém que levasse tudo. Estou cá todos os dias depois das duas. Às cinco vou-me embora porque não vem ninguém. Se a menina não vai ali chamar-me eu não vinha ter consigo. As pessoas entram e eu não ligo. Ninguém leva nada, ninguém dá valor ao que eu faço. De anos a anos, lá vem alguém que sabe olhar e aí eu vendo. Mas é de quarenta em quarenta anos... Só faço pelo prazer de fazer. Não sou entalhador, sou marceneiro, mas faço Cristos e Nossas Senhoras. Como esta, só há esta, é uma obra única, não faço duas iguais. Quanto mais feios melhor, porque bonitos há muitos por aí.
| A casa para o grilo, 2011. |
Têm na mesa de trabalho uma imagem de madeira de Nossa Senhora do Sameiro, tosca, de olhos esbugalhados, pintada à mão. Leva três ou quatro meses a fazer. Aqui só compra quem sabe ver. O grilo precisava de uma casa. Aqui está ela, pintadinha como eu sei, toda de madeirinha.
Às vezes deixam cá móveis para restauro. Quando gosto, peço para fazer uma cópia e faço uma para mim. Tudo feito por mim, como já ninguém faz. Agora querem tudo liso.
Na loja e oficina de David Gomes há mísulas, peanhas, contadores, mesas, louça, um chapéu usado por Salazar, cómodas com puxadores embutidos de marfim, Virgens e Cristos, e aqueles que já foram vendidos e levados para uma exposição DO PORTUGAL no Canadá têm seu lugar assinalado por uma caixa branca onde se lê: "Foram daqui os Cristos para esta exposição..."
A oficina de fazer móveis à mão, à rua do Anjo (antiga rua 13 de Fevereiro), passou do avô para o pai de David Gomes, que tem duas filhas. Mesmo que tivesse um filho, não o ensinava. Sabe porquê? Para não ter de ouvir: - Ai, tão caro!!!
© All rights reserved by Catarina Miranda Basso
domingo, 29 de maio de 2011
rua do Raio
José de Araújo, leitor do Correio do Minho, ligou-nos hoje de manhã para contar um pouco da história da fotografia que saiu hoje no jornal. José (8 de Maio de 1932) foi "nascido e criado na freguesia de S. Victor", encontrando-se actualmente a residir em S. Lázaro com a esposa, Ana Carvalho de Almeida (filha do "Mica", David Peixoto, que foi jogador do Braga). O único filho, os dois netos e os três bisnetos vivem em França. José recorda-se das ruas de Braga, de como elas eram, como as palmas das suas mãos, da altura desta imagem, da sua infância. Esta imagem corresponde à rua da antiga creche de Braga, a rua do Raio...
Mais adiante, nas oficinas de S. José, ficava um campo de futebol, que foi daqui para os Peões. Por trás da creche ficava a Quinta do Peixoto.
Nesta altura a creche tinha alunos internos e externos, desde os mais pequeninos até ao terceiro ano. José frequentou a creche até à 3.ª classe. Foi aluno da D. Arminda, professora angolana, que vestia sempre de preto, "como uma dama antiga". A 4.ª classe foi feita em S. Lázaro, com o professor Guimarães. Fez o 6.º ano na Escola Industrial Carlos Amarante, curso de marcenaria, o que lhe deu entrada na famosa oficina de Fânzeres. Depois, José fez altares para todo o país... Obrigada, José! © All rights reserved by Catarina Miranda Basso
Arcelino, fotógrafo bracarense
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| Arcelino Azevedo (1913-1972) |
Logo depois de ter concluído a instrução primária, Arcelino começou a trabalhar na fotografia de Santos Lima, ao Largo Barão de São Martinho, onde terá aprendido os primeiros passos da arte que desenvolveu com grande mestria.
Nos anos 30 passou para a Fotografia Pelicano, ao lado do Café A Brasileira, onde terá permanecido, segundo Luís Dias Costa, até 1965 - altura em que abriu a sua própria fotografia, perto dali, ao Largo de São Francisco.
O seu estúdio fotográfico, que funcionava, segundo dizem os locais, "à porta fechada", e só para os "importantes", foi continuado por José Veiga, seu empregado, ao qual se associou, após a sua morte, Manuel Gonçalves.
Nos anos 30 passou para a Fotografia Pelicano, ao lado do Café A Brasileira, onde terá permanecido, segundo Luís Dias Costa, até 1965 - altura em que abriu a sua própria fotografia, perto dali, ao Largo de São Francisco.
O seu estúdio fotográfico, que funcionava, segundo dizem os locais, "à porta fechada", e só para os "importantes", foi continuado por José Veiga, seu empregado, ao qual se associou, após a sua morte, Manuel Gonçalves.
Arcelino Augusto de Azevedo nasceu e faleceu em Braga (23 de Setembro de 1913 - 11 de Novembro de 1972), sendo conhecido como um dos grandes fotógrafos da cidade.
O seu espólio, pertencente à ASPA - Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - encontra-se em depósito na fototeca do Museu Nogueira da Silva.
O Museu da Imagem da cidade de Braga realizou já uma importante mostra do fotógrafo bracarense, da qual nasceu um catálogo da exposição intitulada Arcelino, retrato de uma cidade.
mais sobre o fotógrafo bracarense, aqui:
sábado, 28 de maio de 2011
ex-estúdio "Arcelino"
No ano de 1973, José Veiga e Manuel Gonçalves fundaram o estúdio Foto 73, dando continuidade à "fotografia" de Arcelino Azevedo, que aí se estabelecera na década de trinta do século XX.
José Veiga ainda aprendeu com a mestria do grande fotógrafo bracarense Arcelino, e juntamente com Manuel Gonçalves deu continuidade ao "ex-estúdio Arcelino" durante dois anos.
Em 1975 estabeleceu-se por conta própria na rua de Janes, com o pequeno Estúdio 75, que recentemente fechou portas, procurado pela arte do retoque e os belíssimos retratos a carvão que realizava.
Em 1975 estabeleceu-se por conta própria na rua de Janes, com o pequeno Estúdio 75, que recentemente fechou portas, procurado pela arte do retoque e os belíssimos retratos a carvão que realizava.
Manuel Gonçalves, filho do fotógrafo Alberto Maria Gonçalves - que foi o dono, no início do século XX, da Fotografia Moderna Eléctrica - continuou sozinho a exploração do estúdio Foto 73, que ainda hoje funciona.
© All rights reserved by Catarina Miranda Basso
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