sexta-feira, 8 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Miquelina
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| Miquelina Wheelhouse (de pé, ao centro), c. 1900. |
Miquelina Georgina Wheelhouse (1885-1974) era noiva de Jaime Basso Marques (1883-1928) com vinte e um anos de idade.
Do seu casamento nasceram sete filhos:
Jaime Wheelhouse Basso Marques (1914-1954) (meu avô)
Jeremias Wheelhouse Basso Marques
Maria Isabel Wheelhouse Marques
Matilde Wheelhouse Marques
Maria Miquelina Wheelhouse Marques
Fernando Wheelhouse Basso Marques
Maria Georgina Wheelhouse Marques (Azevedo Rua)
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Gina & Jaime
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Às doze horas e quarenta e cinco minutos do dia vinte e cinco do mês de Outubro do ano de mil novecentos e trinta e seis, no primeiro andar do prédio número nove da rua Tenente Espanca, onde as portas estavam abertas e franqueadas ao público, perante mim Manuel António Príncipe ... ajudante do Conservador e no seu impedimento legal compareceram: O noivo = Jaime Wheelhouse Basso Marques = de vinte e dois anos de idade, de profissão primeiro sargento cadete, no estado de solteiro, devidamente autorizado pela competente autoridade militar, conforme documento junto ao processo, natural da freguesia de São Lourenço, concelho de Portalegre, domiciliado e residente na Calçada Alta, freguesia de Santa Maria, concelho da Covilhã, filho legítimo de Jaime Basso Marques, natural de Alpalhão, concelho de Nisa, já falecido, e de Miquelina Wheelhouse Marques, no estado de viúva, de profissão domestica, natural de Lisboa, e residente em Portalegre = e = a noiva = Georgina da Conceição Gonçalves Guerra = de dezanove anos de idade, de profissão doméstica, no estado de solteira, devidamente autorizada por seus pais, que estavam presentes neste acto e lhe deram o consentimento, natural da freguesia de S. Pedro, concelho de Évora, domiciliada e residente na rua Tenente Espanca, número nove, primeiro andar, filha legítima de José Carlos Gonçalves Guerra, no estado de casado, de profissão oficial dos Correios, natural de Gafete, concelho de Crato, residente com sua filha e de Francisca Barbudo da Conceição Guerra, no estado de casada, doméstica, natural de Reguengos, residente com sua filha e declararam, perante mim e as testemunhas adiante nomeadas, que da sua livre vontade desejavam celebrar, como por este acto celebram, o seu casamento, segundo o regime de comunhão de bens.
sábado, 2 de julho de 2011
ao meu avô Jaime
"V. Ex.ª decerto não ignora que à perto de 5 anos vim para a África pilotando um navio e por cá me fixei. Desde então a minha situação tem sido bastante boa e desafogada, ao contrário do que por vezes acontecia na Metrópole".
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| Jaime Wheelhouse Basso Marques a bordo do navio João de Lisboa |
No ano de 1914 nasceu na freguesia de São Lourenço, concelho de Portalegre, Jaime Wheelhouse Basso Marques, filho do capitão Jaime Basso Marques (Alpalhão, Nisa) e de Miquelina Wheelhouse Marques (Lisboa).
Em 1936 casou com Georgina Gonçalves Guerra, e foi pai logo passado um ano, de um rapaz a que deram o nome de José António. Era o filho ainda pequenino quando embarcou para Macau, ao serviço do exército, e onde viveu com a família entre 1939 e 1941.
O regresso à metrópole trouxe-lhe o dissabor do divórcio, em 1942, que o deixou à deriva, e o levou a embarcar, em 1947, a bordo do Navio da República Portuguesa João de Lisboa, rumo a África.
"Encontro-me à cêrca de quatro anos ao serviço de uma casa inglesa - Beira Boating C., após ter deixado a vida marítima".
Cerca de um ano depois era capataz de estiva na firma The Beira Boating Company, Limited, na cidade da Beira, Moçambique, cargo que exerceu durante quatro anos, até perfazer os quarenta anos de idade.
"Quis o destino, colocar como médico, nesta cidade, o Dr. Costa Guerra"
Na Beira casou em segundas e terceiras núpcias, e também se apaixonou por uma rapariga da Acção Católica, com quem não pode contrair de novo matrimónio religioso, o que o deixou muito entristecido.
Em Dezembro de 1952 chegava à Beira o médico Alberto Costa Guerra, seu particular amigo, e a família bracarense Roby Amorim. Esta feliz coincidência trouxe-lhe boas novas do filho, que se mudara com a mãe para a cidade de Braga, e que tinha um segundo pai, "o mais amigo que seria de desejar". Apressou-se a escrever ao padrasto, porque só o futuro do filho o animava, pedindo-lhe autorização para se corresponder com ele.
"Como acima digo, só o futuro do Tony me anima. Assim peço licença, como a idade dele já é de entendimento, que com ele mantenha correspondência e me permita que colabore com o meu auxílio, de olharmos pelo futuro dele e fazermos dele um homem de futuro. A educação dele é o fim do nosso entendimento. Um dia irei à Metrópole. Quando? É prematuro dizê-lo, mas desde já o autoriso a averiguar da honestidade das minhas intenções"
Jaime faleceu a 12 de Agosto de 1954, em Maquino. Foi sepultado no cemitério de Santa Isabel, na cidade da Beira, África Oriental Portuguesa, sem ter ido mais à metrópole.
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| Jaime Wheelhouse Basso Marques |
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
ama & guerra
José António Guerra Basso Marques, filho legítimo de Jaime Wheelhouse Basso Marques e de Georgina da Conceição Gonçalves Guerra nasceu em Lisboa no ano de 1937.
Com cerca de um ano de idade viajou na companhia dos pais para Macau, numa longa viagem de navio que demorou cerca de dois meses, da qual não tem nenhuma recordação.
Não sabe de qual das gares, de qual dos três cais para navios-cruzeiro do porto de Lisboa partiram: se de Alcântara, se de Santa Apolónia - de onde os soldados apanhavam os navios que os levavam para Ultramar - ou se do terminal da Rocha de Conde de Óbidos, mais conhecido como Cais da Rocha. Nem o nome do navio em que embarcara, mas parece-lhe, pelas imagens, que devia tratar-se de um navio de civis.![]() |
| viagem de ida para Macau, c.1938. |
Segundo o que conseguiu apurar João Botas a partir da embarcação salva-vidas que se vê no canto superior esquerdo desta fotografia, o navio em que viajaram terá sido o "Baloeran", da empresa Rotterdam Lloyd. O Baloeran faria na época a rota Europa-India, seguindo este itinerário: Roterdão, Southampton, Lisboa, Tanger, Gibraltar, Marseilles, Port Said, Suez, Colombo, Sabang, Belawan, Singapura, Batavia.
Na Batavia (actual Indonésia) terão feito transbordo para outro navio mais pequeno até Hong Kong, onde apanharam a ligação marítima até Macau. No cais de Kowloon seguiram no “Sui Tai” ou “Sui An” e chegariam a Macau quatro horas e meia depois...
*
Lembraste de como se chamava? Ah, Ah, Ah Muih!
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| À porta de casa, Macau 1939. |
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| "O Tonito sentado à janela tendo a rapariga ao lado, para lhe deitar a mão, caso se voltasse para a rua. É a janela do quarto. Macau, 10-04-39" |
Ah mui, que pode bem ser sinónimo de irmã mais nova, era também um nome chamado às criadas, ou uma palavra carinhosa para designar um familiar ou alguém próximo, mais novo. A minha avó chamava-lhe rapariga.
Os dias eram passados com a ama e a mãe num jardim perto de casa, talvez o jardim de S. Francisco, que ficava ao lado do quartel onde estava o pai.
Havia um casal de amigos, que passeava às vezes com eles, mas não se lembra dos seus nomes.
Iam também à Guia, onde, ao cimo da colina, ficava o farol, que se diz ser um dos grandes faróis do mundo, e o primeiro a ser erguido em todo o Oriente, em 1865.
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| "Na "Guia". Eu estava entre as pernas do Jaime a fazê-lo rir, o que ele fazia de muita vontade! Aos 21 meses". Macau, Junho 39. |
Foi a ama quem ensinou ao meu pai as primeiras palavras faladas, em cantonês. Foi em Macau que deu os primeiros passos. A ama que veio a falecer, vítima do bombardeamento de um ferry que fazia a travessia de Hong Kong para Macau, depois de 1941 e da expansão da segunda guerra ao Pacífico. Ficava então só com a sua mãe.
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| À beira da biblioteca octogonal chinesa. Jardim de S. Francisco, Macau, 1941. |
Na verdade, antes de Dezembro de 1941, a segunda guerra mundial ainda não se tornara verdadeiramente mundial, mas chegaria a Macau nesse mesmo Natal.
No final do ano de 1941, no seguimento da atitude imperialista japonesa de se apoderar dos recursos do Sudeste Asiático e suas ilhas, o Japão bombardeia a base naval de Pearl Harbor, onde se encontrava estabelecida a frota norte-americana do Pacífico. Este ataque marca a entrada dos Estados Unido na guerra em força contra o Japão.
Além de outras conquistas, é nesta altura que as tropas nipónicas invadem Hong Kong, colónia da coroa britânica. Macau ter-se-à tornado então, para alguns, o porto seguro que os afastava da invasão e ocupação japonesa de Hong Kong.
Foi no contexto da guerra e da incompatibilidade entre os seus pais que José, tal como lhe chamava só o avô materno, regressou a Lisboa, pelo navio do qual não recorda o nome, com a sua mãe Georgina.
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| viagem de regresso de Macau para Lisboa, 1941. |
A viagem de regresso deverá ter acontecido cerca de 1941, uma vez que, segundo João Botas, a partir de 1942 as ligações fluviais foram interrompidas e Macau ficou isolada do mundo praticamente até 1945.
Desta viagem, ou da memória que a sua mãe dela guardara, e que lhe contara, recorda ter sido assustadora em muitas alturas, como quando o navio era assolado pelas fortes ondas do mar. Aí era o navio um carrossel de onde não podiam descer para parar. Lembra-se de ouvir falar da passagem pelo canal do Suez, que permitia agora a navegação da Europa à Ásia sem ter que contornar a África pelo cabo da Boa Esperança.
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