sábado, 30 de agosto de 2014

o amor é um poema


"A Paixão É Às Vezes... O Amor É Todos Os Dias...


"Chega à estação de Santa Apolónia... na mão direita... uma página em branco e uma rosa"


O mundo é cheio de pessoas e os dias cheios de infinito
mas são ínfimas as possibilidades de nascer um mito, 
e para fazer por isso, 
podemos tentar tornar o dia do outro mais bonito. 
Ele escolheu começar 
no dia dos namorados, 
uma rosa e um recado 
confiando no acaso 
mas ela não respondia 
e algum tempo passado
na falta de um mais-que-tudo 
o compromisso foi selado com o mundo
e se no fundo o amor é quotidiano 
faz sentido que o altar seja o metropolitano 
todos os dias do ano na última carruagem 
devoto na oferenda, uma flor e uma mensagem. 
Escrevia como para ela, 
em vida paralela 
e vinha de Santa Apolónia sentado à janela
e quando trocava no Marquês para a linha amarela
já trazia uma flor a menos na lapela. 
E lá estava o seu bilhete pendurado,
no sinal de alarme,
como combinado,
para lembrar a quem passava que o amor é inesperado, 
e que, como o perigo, pode estar em todo o lado.
O destino do vagão era o coração
o amador ou a que ama era a direcção da circulação
e cada dia era cumprida com dedicação 
a rotina que fazia da sua vida uma missão.
E como retribuição ele recebeu respostas,
à caixa do correio chegaram muitas propostas,
mulheres dispostas a tudo, lisboetas ou do mundo mas que no vagão do fundo sonharam com um futuro inspiradas no romance, 
sem chance, 
ele só queria uma e essa não estava ao alcance. 
365 dias depois,
depois de 365 poemas e flores 
chegada ao fim da promessa e despedida, 
era a última tulipa, a última missiva. 
No sinal de alarme na tarde de S.Valentim, leu-se:
a paixão é o início, o amor é o fim 
e já sem nenhuma esperança que ela lhe respondesse 
tingiu de algumas lágrimas esse último bilhete, 
foi de coração cinzento que na manhã seguinte 
tudo foi surpreendente mal saiu do número 20, 
havia flores e frases espalhadas pelas ruas,
nos postes, nos semáforos, nos carros, nas gruas, 
Palavras nas paredes, pétalas por todo o lado, 
poemas e papoilas e RAP a passar na rádio. 
Ele ia embasbacado no caminho da estação
que passou a primavera com as flores no corrimão 
E até na bilheteira se davam outros bilhetes, 
de admiradores secretos do metro nos seus ''flirts'', 
ele foi descendo a escada 
e na entrada da carruagem 
penduradas no alarme 
uma flor e uma mensagem. 
Pela primeira vez ele era o destinatário
era o 15 de fevereiro o seu aniversário. 
Cheirou a rosa vermelha enquanto abria a carta, 
a paixão é uma janela o amor é uma porta 
e ao lado estava uma entreaberta, 
e no recado era conhecida a letra, 
espreitou para a cabina e era ela
no lugar do maquinista à sua espera 
E ali debaixo da terra com um beijo de cinema, disse
a paixão é uma flor, o amor é um poema
E ali debaixo da terra com um beijo de cinema, disse
a paixão é uma flor, o amor é um poema


“Já dizia o poeta... a música é o vapor da arte... o que o sonho é para o pensamento...em Lisboa, esta manhã, já partiu, na última carruagem da linha azul... mais uma flor... já partiu o amor"


: sobre o Sinal de Alerta, que terá inspirado esta música :






quinta-feira, 28 de agosto de 2014

V I Z Z I V

Nome de código: v i z. 
Ouve lá, estás no período da ovulação? 
Como é que sabes? 
São muitos anos de prática médica. 
A minha mãe é de Frossos e cagou-me em África. Somos 11. Todos vivos. 
Outra pergunta. Isso é a minha intimidade. Eu não tenho nada que me imiscuir no que está a escrever. Israel. Telavive.
Não te vou dizer a que horas mijo. 
Faz-lhe um filho! Achas? Acho. Está um óvulo à tua espera. Vais bater punhetas toda a vida? 
Aparece no instituto de medicina legal, ó cabeludo! 
Estávamos à mesa com a família toda e a gaja pergunta: o que é que come o cabeludo? 
Afinal o que é feito do baixista que eu conheço? Este gajo é bom, é muito bom. 
Cerveja com favaios, a bebida dos tóxicos, no café do bairro.
Dá-me aqui uma comichão, só me apetece drogar-me. 
Um homem de meia idade desmaia na rua e abre a cabeça. O cabeludo sabe que os riscos de passar a infecção são poucos e mete as mãos no sangue. Estás bem? Este gajo é informador. O cabeludo. 
Sabes que eu mandei prender o meu pai? Porquê? O homem era fascista. 
Ouve lá, porque é que eu achava que eras estrangeiro? 
São muitos anos a treinar a linguagem. Sou mesmo uma menina. És uma pedra, miúda!



©wheelhouse aka catarina basso

domingo, 17 de agosto de 2014

do futebol para o amor



Tantas você fez que ela cansou 
Porque você, rapaz
Abusou da regra três 
Onde menos vale mais

Da primeira vez ela chorou 
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes 
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança 
Porque o perdão também cansa de perdoar

Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai. 
Mas deixe a lâmpada acesa 
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto 
Porque você pode estar certo que vai chorar


Regra Três
Vinicius de Moraes

domingo, 13 de julho de 2014

calendário da semana

domingo 13 a domingo 20  


domingo 13
III ESTÁGIO DE ORQUESTRA
do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian
Theatro Circo | sala princ. | 17h30

TAL PAI, TAL FILHO
um filme de Hirokazu Koreeda
Cinema Avenida, 19h15

Segunda 14    
AS ONDAS DE ABRIL
um filme de Lionel Baier

2013 | 85’ | M12 | Portugal, França, Suíça
medeia filmes
Theatro Circo | peq. audit. | 21h30

Terça 15   
COLLAPSE
um filme de Chris Smith
Velha-a-Branca, 21h45

Quarta 16
THE GIFT
Concerto
Theatro Circo | sala princ. | 22h

Quinta 17
A ALMA DE UM POVO
exposição de cavaquinhos
Theatro Circo | salão nobre | 18h

ABERTO ATÉ DE MADRUGADA
um filme de Robert Rodriguez
ciclo Quente Julho
Velha-a-Branca, 21h45

Sexta 18
TOCA A CONTAR
evento de solidariedade
Cinema Avenida, 15h30

BANDA SINFÓNICA DO EXÉRCITO
305º aniversário do regimento de cavalaria n.º 6
Theatro Circo | sala princ. | 21h

CHILLOUT SESSIONS
Diogo Cerqueira
Velha-a-Branca, 22h

MALTEASER
Maaverick & Vivax
Espaço Cultural Quatorze, 23h

Sábado 19
O PEQUENO IRMÃO II
Long Way to Alaska+Hawks N’Houds+Cavalheiro
Theatro Circo | sala princ. & peq. audit. | 21h30

O SONHO DO CIENTISTA LOUCO E DO ESQUELETO QUE QUERIA SER BECAS
Livro de Paula Susana Rocha
Velha-a-Branca, 17h30

Há duas semanas que não saem no Correio do Minho as crónicas do costume, sem pré-aviso. As nossas desculpas. Somos alheios a esta falta. Continuamos a mandar, como de costume, o material para a redacção do jornal. 

Aqui fica o almanaque desta semana.


Publicação em destaque

as fontes discretas

já no distante ano de 2009, Maria do Carmo Serén publicou um artigo sobre a minha tese de mestrado, a que chamou de " as fontes discre...