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leram ou não leram?

Há 101 anos atrás, em resposta à pronta acção do governo provisório em promulgar medidas que afastassem a Igreja do Estado, os Bispos redigiram uma pastoral que deveria ser lida ao clero e fiéis na missa dominical. Escrita em dezembro de 1910, publicada e divulgada em fevereiro de 1911. As autoridades não gostaram e pediram aos Bispos que suspendessem a leitura do documento. Uns leram, porque não tinham recebido a contra-ordem de quem de direito, outros não leram porque acataram a ordem de Afonso Costa, outros leram porque quiseram, e António Barroso demorou a suspender a leitura da pastoral em toda a diocese do Porto. António, Bispo do Porto, limitou-se a suspendê-la dentro dos limites da cidade... o que lhe valeu o desterro durante dois anos. sobre a Pastoral Colectiva do Episcopado, fevereiro 1911.

Réu da República

recepção do bispo António Barroso. Ilustração Portuguesa, 1914. « Há duas coisas das quais sei que não irei morrer: parto e medo » Antes de ser bispo do Porto (1899) António Barroso (1854-1918) foi bispo de Hymeria (Moçambique) e missionário na Diocese de São Tomé de Meliapor (Índia). Depois da instauração do regime republicano, Barroso foi um dos bispos que se recusou a deixar de ler na missa a  Pastoral Colectiva do Episcopado Português . A Carta, com data de 24-12-1910, foi impressa mais tarde, e enviada aos párocos para ser lida na missa dominical durante o mês de março de 1911 - carta que, segundo Matos Ferreira , foi "um protesto formal às medidas do governo", onde os Bispos "reiteram o respeito pelo novo regime instituído", mas informam que "os católicos não podiam cooperar com quem hostilizasse o catolicismo". O governo republicano não só se opôs à sua leitura , como desterrou das suas dioceses os bispos mais corajosos e empenh...