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flâneuse

Um flaneur pode bem ser alguém que se passeia ou move sem um propósito ou direcção pré-definidos, que viaja sem destino marcado, que dá um passo atrás do outro de forma descomprometida e relaxada. Uma flâneuse pode bem ser a Sofia. A Sofia está assim no mundo - she loves to roam, to laugh, and to take pictures! Para qualquer lugar que vá, descontraídamente, leva a máquina fotográfica consigo. O mote para a exposição era 'olhares no feminino', e a Sofia decidiu apresentar algumas fotografias dos muitos lugares por onde andou. Um olhar feminino sobre os lugares? Não, a Sofia acha que as fotografias são unisexo. Será que conseguimos descobrir o sexo do fotógrafo vendo as suas imagens? Não sei. Só sei que (foi o que ela me disse) estas fotografias obedecem a uma certa matemática, e que são todas tiradas em tilt shift - um nome esquisito que quer dizer que é tudo menos photoshop e que não é fake tilt shift . Ou seja, a Sofia usa uma lente que não encaixa na máquina fotogr...

ponte nova ponte velha

Correio do Minho , ano LXXVI, série VI, n.º 8399 (20 de Novembro 2011), p. 16. O senhor Mário Ferreira da Graça, que viveu em Braga até aos 21 anos e desde há cinco anos atrás, hoje com 91 anos, teve a amabilidade de me ligar para falar desta imagem. Contou que as duas pontes coexistiram não sabe durante quantos anos, mas que durante muito tempo uma, a nova (no plano superior), servia o eléctrico e quem se deslocava para Guimarães (direcção lado direito da imagem) e a outra, mais antiga, dava entrada para a festa do S. João e que ligava-se ao parque da Ponte. Se mais víssemos da fotografia, e percorressemos em direcção ao lado direito da imagem, veríamos a rua bifurcar-se: para a direita em direcção a Guimarães, e para a esquerda em direcção ao Bairro da Devesa. Entre as duas pontes havia um relvado onde as lavadeiras estendiam e punham a roupa a corar. As casinhas que se vêem à esquerda são do bairro das latinhas, da rua dos Galos (ou largo Senhor dos Aflitos) per...

Lady Vignette

Ouvi dizer um dia que as fotografias antigas que são abandonadas deixam de ter interesse para a história. Orfãs, destituídas de nome e data, são apenas imagens, sem nada para contar. São estas fotografias deitadas ao lixo e que alguns respigam que nos permitem contudo aceder a uma parte da vida que já foi. Permitem-nos sempre, ao menos, imaginar. Quem foi, como foi, no que estava a pensar quando o fotógrafo premiu o botão, o motivo que o levou a ir ao estúdio.  Podemos sempre agarrar-nos aos pormenores da expressão do rosto, do olhar, do lado para o qual está o cabelo virado. Observar as poses - a direcção do olhar e a posição do corpo e das mãos - os cenários e os móveis escolhidos a meias com o fotógrafo. Mas só nas fotografias de corpo inteiro, não quando aparece a lady vignette. Quando estamos perante um retrato vignette - uma fotografia de rosto na qual os cantos se desvanecem gradualmente - o nosso olhar dirige-se precisamente para o centro da imagem, on...

palácio da fotografia

Colecção Museus de Portugal. D. Maria Pia e o príncipe D. Luís Augusto Bobone | Lisboa, 1888 160 x 106 mm (com suporte) O Palácio Nacional da Ajuda [PNA] integra o valioso espólio da Casa Real, compreendendo doze colecções distintas - cerâmica, vidro, ourivesaria, utensílios, joalharia, têxteis, mobiliário, escultura, pintura, gravura  e fotografia - datáveis desde o século XIV ao século XX. Parte das colecções do PNA estão expostas no Museu, podendo o público observá-las nas salas, conforme eram utilizadas e vividas pela família real. A colecção de fotografia , a cargo de Maria do Carmo Rebello de Andrade, integra na sua maioria provas fotográficas em diferentes tipos de suporte - desde o vulgar cartão dos cabinet cards , promenade, boudoir, álbum - aos retratos impressos em porcelana, esmalte e tecido. São cerca de 7000 os espécimes da colecção fotográfica do PNA, na qual estão representados mais de 300 fotógrafos: os "portugueses" Alfred F...

nos Remédios

Correio do Minho , ano LXXVI, série VI, n.º 8392 (13 Nov. 2011), p. 17.

grémio dos fotógrafos

contrato de trabalho , a photo by cochinilha on Flickr. Nos anos 60 o salário dos fotógrafos diferenciava-se conforme a categoria profissional e a situação geográfica da oficina fotográfica: ganhava-se mais nos concelhos de Lisboa e Porto, depois nas oficinas situadas perto dos limites destes dois concelhos, e por fim nas restantes localidades... Qualquer fotografia situada nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Aveiro tinha de ter ao serviço o mínimo de: 1 especializado , ou 2 oficiais que tivessem mestria das especialidades de operador , retocador e impressor , enquanto as restantes podiam funcionar apenas com 1 oficial de 1.ª... Ir de estagiário a fotógrafo especializado era um percurso que poderia durar mais de uma década e que culminava quando ao fotógrafo era reconhecida a especialidade ou competência como oficial, operador, retocador e impressor...

Grande Hotel

Correio do Minho , ano LXXVI, série VI, n.º 8385 (6 de Novembro de 2011), p. 16. Segundo generoso comentário de Luís Dias Costa , importante estudioso da história da cidade Braga, na portinha aberta da direita que se vê na imagem do edifício do Grande Hotel, ficava a estação central de Braga - uma das três que existiam na cidade. Na imagem consegue ler-se por cima da porta "Central de Caminhos de Ferro". Na primeira porta aberta ficava a entrada do Grande Hotel de "Gomes & Mattos successores de Manuel Joaquim Gomes", conforme se vê na fachada deste edifício onde hoje fica situado o Centro Comercial Avenida (ou Bragashopping, como se diz hoje). Por indicação de Luís Tarroso Gomes , esta imagem será posterior a 1914, uma vez que a linha já se encontra electrificada. Obrigada aos dois!