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Mensagens

manoel carneiro

Bilhete postal ilustrado, 1903.  Edição: Manoel Carneiro.  Cortesia: Pedro Barros. a cochinilha estreou-se  nos postais ilustrados :  ver aqui !

lisboa em braga

anúncio de imprensa, 1927 Depois de Braga em Lisboa , afinal, acabei por encontrar sozinha uma Lisboa em Braga. Continuarei contudo a acalentar a esperança de que encontre, acompanhada, mais Lisboas em Braga que não existe. Porque, na verdade, a dois, é muito mais divertido (mesmo sem o corte perfeito, a exímia execução e o meticuloso acabamento).

modos de ver

T eve hoje lugar no Salão Nobre da Reitoria uma mesa redonda  subordinada ao tema modos de ver - os museus e os espaços de cultura , no âmbito da programação do Festival de Outono . Carlos Corais e Isabel  Cunha e Silva  dos Museus Nogueira da Silva e D. Diogo de Sousa, e Manuel Sampayo do Paço de Guimarães (faltou Rui Prata, do Museu da Imagem), partilharam com a reduzida assistência as suas experiências na gestão dos diferentes espaços culturais.  Já no fim do tempo, veio à baila a gigantesca diferença entre as duas capitais europeias, Braga e Guimarães, anuindo os bracarenses presentes com o facto de não poderem rivalizar com o ufanismo dos vimaranenses em relação à sua cidade.  Gostava mesmo que os bracarenses sentissem a cidade como sua, mas a verdade é que o que é bom é viver Guimarães. [Amanhã há Guelra, às três, no largo do Paço, e música, à noite, no Salão Medieval]

Salão Recreativo

Salão Recreativo Bracarense , Arquivo Aliança | Museu da Imagem | C.M.B. Foi primeiro Salão Recreativo Bracarense e depois Cinema S. Geraldo. [Segundo Luís Dias Costa terá funcionado até 1950, data em que passou a cinema] Hoje está ao abandono, numa praça da cidade recentemente regenerada . programa do Salão Recreativo, 1927.

à flor da pele

a pele da Ana e da Sofia, 2002. Conhecer um pouco mais profundamente a ex-namorada do ex-namorado pode ser algo extraordinário - ela sabe tão bem quanto nós o que sentimos, percebe exactamente o que queremos dizer. Não sabemos como é que as vidas se cruzam e se intricam umas nas outras, mas sabemos que está tudo à flor da pele. Por isso por mais que não queiramos que nada saibam de nós, o nosso corpo é indiscreto. A pele, por exemplo, em íntima ligação com o sistema nervoso, responde muito sensivelmente aos acontecimentos emocionais. E mesmo que não queiramos ligar às nossas emoções, elas encontram uma forma de falar por nós através da pele. E a pele chora. Esta é a pele da Ana. Esta é a pele da Sofia. Duas raparigas que irradiam luz. Esta pele é a da minha avó. Uma mulher que não fazia reserva dos seus sentimentos e que irradiava toda a força do universo. A pele da minha avó não chorava. Tão só porque não tinha medo de dizer o que sentia e  mandava à fava ...

Santos Lima

Santos Lima, 1921. Muitas vezes o trabalho de procurar nos periódicos o rasto deixado pelos fotógrafos é desesperante.  Tudo muda quando há, de entre todos os anúncios e reclames, um que se destaca [não é o caso deste  exemplo sóbrio publicado nas vésperas do Natal]. Enquanto a maior parte dos proprietários das fotografias de Braga da década de 20 procura atrair clientes, Santos Lima, o homem que rodou "Portugal da Saudade", é, até ao momento, o único que usa o jornal para dizer, de modo delicado, algo como "eh pah,  não me procurem mais para fazer os vossos clichés! "

de mãos dadas

Maria Catarina , 1952. Não tem mesmo nada a ver comigo, mas chama-se Catarina.  Talvez em 2152, quando tiverem passado 177 anos do meu nascimento, uma outra Catarina em crise existencial, me encontre num qualquer arquivo da memória, se os houver. Espero mesmo é que encontre calor nas mãos dadas com os seus filhos ou enteados, como algumas mães e alguns pais como José Luís Peixoto tiveram um dia o privilégio de encontrar. "Nesse momento, eu e o André estávamos de mãos dadas. Segurar a pequena mão dele, sentir os seus dedos pequenos a agarrarem a minha mão é uma justificação óbvia para tudo, para a vida. Vale a pena nascer, crescer, vale a pena a adolescência inteira, todos os sacrifícios, vale a pena a responsabilidade, vale a pena sair do desconhecido e ter de estar preparado para o impossível, vale a pena ler obras completas, passar dias fechados apenas a ler, vale a pena comer sopa, aprender a fazer sopa, vale a pena lavar loiça para ter a oportunidade de segurar-lh...