Avançar para o conteúdo principal

cristos, toscos e feios


Quer levar tudo, pode levar. Só lhe digo que é um bocado pesado... Ainda não fechei porque não houve ninguém que levasse tudo. Estou cá todos os dias depois das duas. Às cinco vou-me embora porque não vem ninguém. Se a menina não vai ali chamar-me eu não vinha ter consigo. As pessoas entram e eu não ligo. Ninguém leva nada, ninguém dá valor ao que eu faço. De anos a anos, lá vem alguém que sabe olhar e aí eu vendo. Mas é de quarenta em quarenta anos... Só faço pelo prazer de fazer. Não sou entalhador, sou marceneiro, mas faço Cristos e Nossas Senhoras. Como esta, só há esta, é uma obra única, não faço duas iguais. Quanto mais feios melhor, porque bonitos há muitos por aí.




A casa para o grilo, 2011.
Têm na mesa de trabalho uma imagem de madeira de Nossa Senhora do Sameiro, tosca, de olhos esbugalhados, pintada à mão. Leva três ou quatro meses a fazer. Aqui só compra quem sabe ver. O grilo precisava de uma casa. Aqui está ela, pintadinha como eu sei, toda de madeirinha.



Às vezes deixam cá móveis para restauro. Quando gosto, peço para fazer uma cópia e faço uma para mim. Tudo feito por mim, como já ninguém faz. Agora querem tudo liso.
Na loja e oficina de David Gomes há mísulas, peanhas, contadores, mesas, louça, um chapéu usado por Salazar, cómodas com puxadores embutidos de marfim, Virgens e Cristos, e aqueles que já foram vendidos e levados para uma exposição DO PORTUGAL no Canadá têm seu lugar assinalado por uma caixa branca onde se lê: "Foram daqui os Cristos para esta exposição..."


A oficina de fazer móveis à mão, à rua do Anjo (antiga rua 13 de Fevereiro), passou do avô para o pai de David Gomes, que tem duas filhas. Mesmo que tivesse um filho, não o ensinava. Sabe porquê? Para não ter de ouvir: - Ai, tão caro!!!

© All rights reserved by Catarina Miranda Basso 

Comentários

Anónimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

Mensagens populares deste blogue

tragédia da vida vulgar

alliança amorosa #8



* adaptado de "Tragédias da Vida Vulgar", de Wenceslau Flores, 1930.

curriculum vitae

cur.rí.cu.lo

Ponto UM. Nome.CATARINA MIRANDA Basso Marques. [vulgar, nenhum apelido conhecido; Basso é giro, mas é só isso. Usei-o quando era fotógrafa em Macau, por alusão ao brilho/mate do papel fotográfico]
Ponto DOIS. Habilitações Académicas:2000. Licenciatura em História, variante História da Arte. Faculdade de Letras da Universidade do Porto.[um clássico, uma Faculdade pública e reconhecida. Daqueles cursos que para pouco servem para além de fazer investigação/trabalhar em Museus]2007. Mestrado em História da Arte. Classificação: Muito Bom. Instituição que conferiu o grau: Universidade do Porto. Faculdade: Faculdade de Letras. Título da tese: A retratística em Portugal e a introdução da daguerreotipia (1830-1845) [tese que versa, entre outros assuntos relacionados com a fotografia, sobre a sua introdução em Portugal. Poderia intitular-se assim: os primórdios da fotografia em Portugal: do retratista ao daguerreotipista. Interessante. Ou não. ] (em conclusão) Grau: Dou…

talha & fruta = delicious!

..., a photo by cochinilha on Flickr.
Existe em Braga uma capela que abre uma vez no ano, para celebrar o Dia de São Geraldo, padroeiro da cidade.


Junto à porta lateral da Sé, que dá para a rua do Souto, passando o Claustro de Santo Amaro, fica a capela de S. Geraldo, que neste dia se adorna de frutos, em alusão ao milagre da fruta.




( azulejos atribuídos ao pintor António de Oliveira Bernardes)

Júlia represente!

"Júlia Mendes foi uma rapariga talentosa que atravessou a scena portugueza com o brilho fugaz de um meteoro. Contam-se dela cousas espantosas, mas basta apenas uma referencia para se ver quanto era original a trefega rapariga. Uma vez, em Braga, á hora do espectáculo no Theatro S. Geraldo, Júlia Mendes entendeu que não devia representar. Interveio a policia e a actriz foi parar á presença da autoridade. De volta a Lisboa Júlia Mendes foi para logo assediada pelos repórters que desejam entrevistal-a. A um jornalista d' O Imparcial, disse ella: — O Galhardo perguntou-me aqui ha tempos se eu queria ir ao Brasil. Respondi-lhe logo: conforme “as condições”. — E quanto queres ganhar? — Um conto e oitocentos, passagens pagas e um beneficio. — Isso não ganha a Eéjane, disse o Galhardo, dou-te um conto de réis. — Não acceito, respondi. E por causa disso temos andado um pouco de candeias ás avessas. Mandou-me elle para o Porto. Fui. Ora, aconteceu que na noite em que se representava no…

dança do Rei David

Portugal da Saudade

Segundo esta cronologia a 6 de abril de 1933: inaugurou o estúdio da Tobis Portuguesa; e Joaquim dos Santos Lima produziu em Braga, e submeteu à Censura, o documentário Portugal da Saudade, inspirado pela “vinda da Rainha da Colónia Portuguesa no Brasil, Leopoldina Belo”. Meio ano depois, foi o filme aprovado pela Comissão de Censura Cinematográfica do Brasil.

sociedade de espectáculos recreativos

[O Teatro Circo de Braga e o Cinema S. Geraldo [antigo Salão Recreativo Bracarense] foram em tempos explorados pela mesma Sociedade]

Álbum de Braga

Em 1904 foi "editado pelos srs. Manoel Carneiro & Irmão, da antiga rua do Souto ... um interessante álbum de Braga, contendo 47 photogravuras dos melhores monumentos e vistas de Braga". O álbum, posto à venda por ocasião das festas jubilares do Sameiro, apresenta uma paginação curiosa: as fotografias cercadas a moldura a negro, e legendas indicativas a vermelho, são organizadas por proximidade geográfica, realçando-se detalhes importantes.


-->






Manoel Carneiro & Irmão instalaram-se na rua do Souto - que se chamou durante algum tempo rua Rodrigues de Carvalho - na casa que fora fundada por Bernardo Carneiro, em 1865. Era um estabelecimento de "vidros" e outros "pertences" para a casa, que vendia também artigos fotográficos e postais, os quais eram editados por Carneiro.




De algumas das imagens publicadas no álbum de Braga foram editados belos postais assinados por Manoel Carneiro. A fototeca do Museu Nogueira da Silva, em Braga, tem e…

récita no Salão

Start up from macOS Recovery

I ran First Aid and got "First Aid found corruption that needs to be repaired. To repair the startup volume, run First Aid from Recovery."  

How can I do it?

1. hold down Command (⌘) + R immediately after turning on or restarting your Mac. Release when you see the Apple logo.

2. you will then see this box




3. choose DISK UTILITY and then FIRST AID.

4. restart & you are done!

note:
If you can't start up from macOS Recovery, try holding down Option-Command-R to start up from macOS Internet Recovery [need internet connection for this option]