Avançar para o conteúdo principal

discreto e sentimental

esmaltes. vitrine de estúdio fotográfico. Porto, 1999. ©wheelhouse
Nos tempos da Faculdade fiz (ou tentei fazer) um pequeno trabalho sobre o esmalte fotográfico. Digo tentei porque, na verdade, não consegui saber o segredo do procedimento desta técnica de impressão fotográfica dos primórdios da história da fotografia. 
Nesse ano (1999-2000), havia no Porto cerca de nove casas dedicadas à realização de fotografias em esmalte, mas apenas cinco delas se dispuseram, não sem desconfiança, a desvendar parte do mistério. Escusando-se por «os esmaltadores estarem de férias», ou «pelo trabalho que se avoluma para os fiéis» ao chegar o dia de todos os santos (altura que muitos encontram propícia para embelezar a última morada dos entes queridos), ou simplesmente porque «o segredo é a alma do negócio», ficamos aquém das expectativas.

esmaltes. vitrine de estúdio fotográfico. Porto, 1999. ©wheelhouse


Desde a sua invenção que à imagem impressa em esmalte foram oferecidos uma série de destinos: pendurada ao peito (tomando o lugar das silhuetas e das miniaturas pintadas), inserida em jóias que permitiam levar uma imagem dos seus (alfinetes de peito e anéis); ou para incrustar nas campas funerárias. Mas a perpetuação da memória não se limita aos seres amados e perdidos - estas produções discretas e sentimentais, oferecidas à pessoa amada, confirmavam o sentimento de amor e o desejo de o perpetuar para sempre. 
Longe vão os tempos em que oferecer o esmalte à namorada era sinal de compromisso e prova de amor eterno. Convite ao noivado e, depois de consumado, «aliança» que não mais se tira do dedo, o esmalte abre à fotografia uma das suas funções mais alargadas: a de tornar presente, eternamente, o que no tempo flui.

Comentários

Rosa disse…
http://www.flickr.com/photos/rosapomar/1612406072/

:)
APS disse…
Gostei muito deste seu poste.
E da imagem sugestiva que projecta, do passado histórico,o 1º esmalte.
Bom fim-de-semana!

Mensagens populares deste blogue

tragédia da vida vulgar

alliança amorosa #8



* adaptado de "Tragédias da Vida Vulgar", de Wenceslau Flores, 1930.

curriculum vitae

cur.rí.cu.lo

Ponto UM. Nome.CATARINA MIRANDA Basso Marques. [vulgar, nenhum apelido conhecido; Basso é giro, mas é só isso. Usei-o quando era fotógrafa em Macau, por alusão ao brilho/mate do papel fotográfico]
Ponto DOIS. Habilitações Académicas:2000. Licenciatura em História, variante História da Arte. Faculdade de Letras da Universidade do Porto.[um clássico, uma Faculdade pública e reconhecida. Daqueles cursos que para pouco servem para além de fazer investigação/trabalhar em Museus]2007. Mestrado em História da Arte. Classificação: Muito Bom. Instituição que conferiu o grau: Universidade do Porto. Faculdade: Faculdade de Letras. Título da tese: A retratística em Portugal e a introdução da daguerreotipia (1830-1845) [tese que versa, entre outros assuntos relacionados com a fotografia, sobre a sua introdução em Portugal. Poderia intitular-se assim: os primórdios da fotografia em Portugal: do retratista ao daguerreotipista. Interessante. Ou não. ] (em conclusão) Grau: Dou…

talha & fruta = delicious!

..., a photo by cochinilha on Flickr.
Existe em Braga uma capela que abre uma vez no ano, para celebrar o Dia de São Geraldo, padroeiro da cidade.


Junto à porta lateral da Sé, que dá para a rua do Souto, passando o Claustro de Santo Amaro, fica a capela de S. Geraldo, que neste dia se adorna de frutos, em alusão ao milagre da fruta.




( azulejos atribuídos ao pintor António de Oliveira Bernardes)

Júlia represente!

"Júlia Mendes foi uma rapariga talentosa que atravessou a scena portugueza com o brilho fugaz de um meteoro. Contam-se dela cousas espantosas, mas basta apenas uma referencia para se ver quanto era original a trefega rapariga. Uma vez, em Braga, á hora do espectáculo no Theatro S. Geraldo, Júlia Mendes entendeu que não devia representar. Interveio a policia e a actriz foi parar á presença da autoridade. De volta a Lisboa Júlia Mendes foi para logo assediada pelos repórters que desejam entrevistal-a. A um jornalista d' O Imparcial, disse ella: — O Galhardo perguntou-me aqui ha tempos se eu queria ir ao Brasil. Respondi-lhe logo: conforme “as condições”. — E quanto queres ganhar? — Um conto e oitocentos, passagens pagas e um beneficio. — Isso não ganha a Eéjane, disse o Galhardo, dou-te um conto de réis. — Não acceito, respondi. E por causa disso temos andado um pouco de candeias ás avessas. Mandou-me elle para o Porto. Fui. Ora, aconteceu que na noite em que se representava no…

dança do Rei David

Portugal da Saudade

Segundo esta cronologia a 6 de abril de 1933: inaugurou o estúdio da Tobis Portuguesa; e Joaquim dos Santos Lima produziu em Braga, e submeteu à Censura, o documentário Portugal da Saudade, inspirado pela “vinda da Rainha da Colónia Portuguesa no Brasil, Leopoldina Belo”. Meio ano depois, foi o filme aprovado pela Comissão de Censura Cinematográfica do Brasil.

sociedade de espectáculos recreativos

[O Teatro Circo de Braga e o Cinema S. Geraldo [antigo Salão Recreativo Bracarense] foram em tempos explorados pela mesma Sociedade]

Álbum de Braga

Em 1904 foi "editado pelos srs. Manoel Carneiro & Irmão, da antiga rua do Souto ... um interessante álbum de Braga, contendo 47 photogravuras dos melhores monumentos e vistas de Braga". O álbum, posto à venda por ocasião das festas jubilares do Sameiro, apresenta uma paginação curiosa: as fotografias cercadas a moldura a negro, e legendas indicativas a vermelho, são organizadas por proximidade geográfica, realçando-se detalhes importantes.


-->






Manoel Carneiro & Irmão instalaram-se na rua do Souto - que se chamou durante algum tempo rua Rodrigues de Carvalho - na casa que fora fundada por Bernardo Carneiro, em 1865. Era um estabelecimento de "vidros" e outros "pertences" para a casa, que vendia também artigos fotográficos e postais, os quais eram editados por Carneiro.




De algumas das imagens publicadas no álbum de Braga foram editados belos postais assinados por Manoel Carneiro. A fototeca do Museu Nogueira da Silva, em Braga, tem e…

récita no Salão

Start up from macOS Recovery

I ran First Aid and got "First Aid found corruption that needs to be repaired. To repair the startup volume, run First Aid from Recovery."  

How can I do it?

1. hold down Command (⌘) + R immediately after turning on or restarting your Mac. Release when you see the Apple logo.

2. you will then see this box




3. choose DISK UTILITY and then FIRST AID.

4. restart & you are done!

note:
If you can't start up from macOS Recovery, try holding down Option-Command-R to start up from macOS Internet Recovery [need internet connection for this option]