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Mensagens

sou ribatejo

© feitoria Há muitos anos atrás, quando andavamos na escola primária, tivemos que decorar um dizer acerca das províncias de Portugal. A mim calhou-me o Ribatejo... O exercício era difícil: primeiro decorar muito bem o que tínhamos de dizer até ao dia da representação, em que era suposto estarmos todos acocorados enquanto cada província falava . Além de não ter veia teatral,  era então extremamente tímida, e recordo-me do medo que tinha de não conseguir falar quando chegasse a minha vez. Nos ensaios, quando a Estremadura ou a Beira Baixa terminavam, era a minha vez de me levantar, gesticular, falar em voz alta, e voltar a fechar-me para que as outras regiões se fizessem ouvir. Este verão voltei ao Ribatejo e lembrei-me deste episódio. Ontem à noite, ao entrar na Golegã, veio-me de novo a minha deixa à memória: ... sou o Ribatejo valente de muito sol e touradas costumo andar contente por lezírias e levadas ...

flâneuse

Um flaneur pode bem ser alguém que se passeia ou move sem um propósito ou direcção pré-definidos, que viaja sem destino marcado, que dá um passo atrás do outro de forma descomprometida e relaxada. Uma flâneuse pode bem ser a Sofia. A Sofia está assim no mundo - she loves to roam, to laugh, and to take pictures! Para qualquer lugar que vá, descontraídamente, leva a máquina fotográfica consigo. O mote para a exposição era 'olhares no feminino', e a Sofia decidiu apresentar algumas fotografias dos muitos lugares por onde andou. Um olhar feminino sobre os lugares? Não, a Sofia acha que as fotografias são unisexo. Será que conseguimos descobrir o sexo do fotógrafo vendo as suas imagens? Não sei. Só sei que (foi o que ela me disse) estas fotografias obedecem a uma certa matemática, e que são todas tiradas em tilt shift - um nome esquisito que quer dizer que é tudo menos photoshop e que não é fake tilt shift . Ou seja, a Sofia usa uma lente que não encaixa na máquina fotogr...

ponte nova ponte velha

Correio do Minho , ano LXXVI, série VI, n.º 8399 (20 de Novembro 2011), p. 16. O senhor Mário Ferreira da Graça, que viveu em Braga até aos 21 anos e desde há cinco anos atrás, hoje com 91 anos, teve a amabilidade de me ligar para falar desta imagem. Contou que as duas pontes coexistiram não sabe durante quantos anos, mas que durante muito tempo uma, a nova (no plano superior), servia o eléctrico e quem se deslocava para Guimarães (direcção lado direito da imagem) e a outra, mais antiga, dava entrada para a festa do S. João e que ligava-se ao parque da Ponte. Se mais víssemos da fotografia, e percorressemos em direcção ao lado direito da imagem, veríamos a rua bifurcar-se: para a direita em direcção a Guimarães, e para a esquerda em direcção ao Bairro da Devesa. Entre as duas pontes havia um relvado onde as lavadeiras estendiam e punham a roupa a corar. As casinhas que se vêem à esquerda são do bairro das latinhas, da rua dos Galos (ou largo Senhor dos Aflitos) per...

Lady Vignette

Ouvi dizer um dia que as fotografias antigas que são abandonadas deixam de ter interesse para a história. Orfãs, destituídas de nome e data, são apenas imagens, sem nada para contar. São estas fotografias deitadas ao lixo e que alguns respigam que nos permitem contudo aceder a uma parte da vida que já foi. Permitem-nos sempre, ao menos, imaginar. Quem foi, como foi, no que estava a pensar quando o fotógrafo premiu o botão, o motivo que o levou a ir ao estúdio.  Podemos sempre agarrar-nos aos pormenores da expressão do rosto, do olhar, do lado para o qual está o cabelo virado. Observar as poses - a direcção do olhar e a posição do corpo e das mãos - os cenários e os móveis escolhidos a meias com o fotógrafo. Mas só nas fotografias de corpo inteiro, não quando aparece a lady vignette. Quando estamos perante um retrato vignette - uma fotografia de rosto na qual os cantos se desvanecem gradualmente - o nosso olhar dirige-se precisamente para o centro da imagem, on...

palácio da fotografia

Colecção Museus de Portugal. D. Maria Pia e o príncipe D. Luís Augusto Bobone | Lisboa, 1888 160 x 106 mm (com suporte) O Palácio Nacional da Ajuda [PNA] integra o valioso espólio da Casa Real, compreendendo doze colecções distintas - cerâmica, vidro, ourivesaria, utensílios, joalharia, têxteis, mobiliário, escultura, pintura, gravura  e fotografia - datáveis desde o século XIV ao século XX. Parte das colecções do PNA estão expostas no Museu, podendo o público observá-las nas salas, conforme eram utilizadas e vividas pela família real. A colecção de fotografia , a cargo de Maria do Carmo Rebello de Andrade, integra na sua maioria provas fotográficas em diferentes tipos de suporte - desde o vulgar cartão dos cabinet cards , promenade, boudoir, álbum - aos retratos impressos em porcelana, esmalte e tecido. São cerca de 7000 os espécimes da colecção fotográfica do PNA, na qual estão representados mais de 300 fotógrafos: os "portugueses" Alfred F...

nos Remédios

Correio do Minho , ano LXXVI, série VI, n.º 8392 (13 Nov. 2011), p. 17.

grémio dos fotógrafos

contrato de trabalho , a photo by cochinilha on Flickr. Nos anos 60 o salário dos fotógrafos diferenciava-se conforme a categoria profissional e a situação geográfica da oficina fotográfica: ganhava-se mais nos concelhos de Lisboa e Porto, depois nas oficinas situadas perto dos limites destes dois concelhos, e por fim nas restantes localidades... Qualquer fotografia situada nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Aveiro tinha de ter ao serviço o mínimo de: 1 especializado , ou 2 oficiais que tivessem mestria das especialidades de operador , retocador e impressor , enquanto as restantes podiam funcionar apenas com 1 oficial de 1.ª... Ir de estagiário a fotógrafo especializado era um percurso que poderia durar mais de uma década e que culminava quando ao fotógrafo era reconhecida a especialidade ou competência como oficial, operador, retocador e impressor...